domingo, 28 de fevereiro de 2016

VIOLÃO AMIGO: GREG SMALLMAN

Do Violão clássico ao Moderno
Um breve escorço histórico sobre o violão
Por: Clever Jatobá¹

O violão (guitarra) é hoje em dia o instrumento musical mais popular do mercado mundial da música.

Sua origem, ao certo, não se pode definir, porém, por dedução lógica, bem como diante de registros em pinturas, normalmente se remete à sua descendência de três famílias, a da cítara romana, a harpa egípcia e do alaúde árabe, levado pelos muçulmanos para a península Ibérica onde o mesmo adaptou-se muito bem às atividades da corte.

Vihuela
Há pesquisadores que atestam a existência de um instrumento similar ao violão ao período de 1900 a.C. na Babilônia.

Não obstante a tudo isso, imperioso reconhecer que foi na Espanha que a antiga vihuela foi tomando formato mais aberto, mais largo, até receber o toque principal do luthier, Antônio de Torres Jurado (1817 - 1892), tomando, assim, a feição e dimensões do violão que atualmente conhecemos.

Antônio de Torres Jurado, foi carpinteiro espanhol do século XIX, que por tocar e compor para violão, terminou aprendendo a consertar instrumentos com o artesão espanhol, José Pernas, no período de 1836 a 1842 passando a confeccionar suas próprias guitarras à partir de 1850.
  
Don Torres
Além da feição mais larga (em comparação com cinturada vihuela), a maior contribuição de Torres para o violão contemporâneo foi a sua estrutura interna, com a criação do leque harmônico e as varas de sustentação, mantendo o formato atual, mas garantindo solidez à estrutura e viabilizando melhor distribuição da vibração sonora do instrumento e valoriza a melhor propagação do som.

Com a caixa acústica mais larga e a distribuição do leque harmônico, a projeção sonora das guitarras de Torres se popularizaram diante do talento do violonista Francisco de Tárrega (1852 - 1909).

Diante da nova estrutura interna da guitarra clássica espanhola, o leque harmônico passou a ser essencial à confecção destes instrumentos. 

No século XX, o luthier alemão Hermann Hauser (1882 - 1952), seguiu a ideia original do leque harmônico e as barras de sustentação de Torres, entretanto promoveu ajustes, fazendo leves variações na distribuição do leque harmônico.

A influência destes mestres da luteria foi tão grande que o mundo passou a adotar a estrutura interna propostas por estes dois gênios, com a utilização das barras de sustentação e o mesmo padrão de leque harmônico para o violão clássico.

Com o passar dos tempos, alguns luthiers começaram a inovar, fazendo testes e modificações na estrutura interna do violão, tentando dar novas dimensões e formatos ao tradicional leque harmônico quais chegaram até a se popularizar diante dos violões folk e de cordas de aço.

Outros luthiers tentaram inovar com propostas diferenciadas de leque harmônico, não obstante a isso, nos violões clássicos o leque tradicional continuou prevalecendo, sendo adotado até os dias atuais em todo o mundo, principalmente nos instrumentos fabricados em série das marcas mais famosas às mais modestas.

Greg Smallman
À partir da década de 70 do século XX, o luthier australiano, Greg Smallman começou a trabalhar projetos inovadores na construção do violão, mantendo a estética exterior, porém, alterando integralmente sua estrutura interna e montagem.

O Greg Smallman tirou do fundo do violão as barras de sustentação e projetou uma nova estrutura de sustentação que ampara o tampo, abolindo o tradicional leque harmônico, criando treliças harmônicas fixadas usando balsas, epóxi e fibra de carbono, numa estrutura rígida e pesada que mantém a sustentação do violão, promovendo uma sonoridade mais metálica, mas de grande projeção sonora.


Estrutura Greg Smallman
O violão mantem sua estética, porém sua estrutura interna é radicalmente modernizada, buscando alcançar uma maior projeção sonora. Com essa nova estrutura, o violão fica mais pesado que os violões tradicionais, tendo uma sonoridade específica.

Outra novidade é que o braço deixa de ser colado ao corpo e sobreposto ao tampo do violão, para ser apenas encaixado e ajustado de acordo com a necessidade do músico e altura das coradas, alinhadas pelo rastilho do cavalete.

O fundo do violão, além de não ter as barras de sustentação interna, tem um formato meio abaulado.

Bem, trata-se de uma inovação radical, que modifica por completo a confecção do violão tradicional, qual tem sido utilizado nas últimas décadas pelo renomado violonista e concertista australiano, John Williams, para quem o Smallman tem confeccionado vários instrumentos.


John Williams - Concierto de Aranjuez
Violão Greg Smallman


A modernidade da confecção dos violões Smallman's não é uma unanimidade. Muitos questionam a sua sonoridade e peso, mesmo em face da alta projeção sonora. Porém, não se pode negar que a técnica inovadora oferece uma outra perspectiva para a luteria. 


Uma coisa é certa, é que o fato do mundialmente conhecido violonista e concertista John Williams ter trocado o violão Fleta pelo Smallman tem uma repercussão mundial no cenário mundial do violão e dos concertos.


O Greg Smallman não patenteou seu projeto e ainda compartilhou informações permitindo que fosse copiada por outros luthiers pelo mundo à fora. 

No Brasil, a técnica não é muito difundida, mas alguns luthiers já confeccionam violão adotando sua estrutura, porém, o luthier que mais se destacou com a confecção destes instrumentos foi o paulista Edson Valencio, que em respeito ao criador da técnica, batizou esta produção com o nome de "Smallman Type".



Apesar da técnica de confecção dos violões do Greg Smallman não ter sido patenteada e estar sendo copiada pelo mundo à fora, ainda nenhum luthier conseguiu se aproximar da sonoridade e projeção sonora dos violões deste gênio da luteria australiana.

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¹ Clever Jatobá foi músico e cantor profissional, violonista formado em Música pela Universidade Católica do Salvador (UCSal), proprietário de uma infinita e diversificada coleção de CDS, de LPs, K7, DVDs, além de colecionador de instrumentos musicais e estudioso sobre luteria.

Leitura Complementar:
http://violaosambaechoro.com.br/origem-do-violao-sua-historia-caracteristicas-curiosidades/


Vídeos Complementares:

As técnicas e estrutura dos violões confeccionados pelo Greg Smallman tem sido difundida pelo mundo à fora, onde muitos já apresentaram sua estrutura diferenciada. Assistam a estes vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=ENImGsolpIw

https://www.youtube.com/watch?v=VgzEQRYiYPc

https://www.youtube.com/watch?v=uGQFF7ixuaQ



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

VIOLÃO AMIGO

Mitos ou Verdades
Violão Nacional, ou Importado?
Como comprar um bom instrumento
Por: Clever Jatobá¹

Estes dias, navegando na internet, encontrei uma matéria que falava que as fábricas de violões brasileiras estavam fechando, virando importadoras, pois de fato seus instrumentos estavam sendo produzidos na China e que as empresas que ainda fabricavam instrumentos no Brasil tinham uma produção baixíssima.

Di Giorgio - Tárrega
A matéria era excelente. O colunista - Vitor Sorano - passeou entre as marcas brasileiras mais importantes, tais como, Di Giorgio, Del Vecchio, Giannini, Rozini e Rei dos Violões, dando um panorama bem lúcido acerca da produção de instrumentos musicais em nosso país. 

O ponto forte da matéria, a propósito, foi o fato de denunciar que a alta carga tributária e o peso dos encargos trabalhistas deixam os produtos brasileiros em extrema desvantagem com os produtos importados, mesmo diante da altíssima tributação dos importados. Esta realidade faz com que o mercado musical brasileiro opte por consumir instrumentos importados.

Bem, apesar de ficar sensibilizado com a matéria e revoltado com a situação das fábricas brasileiras de violões estarem fechando, vejo a situação por outra perspectiva, qual seja, a da qualidade.

Isso mesmo.

Acredito que a qualidade do produto pode ser o maior cartão de visitas para sua aceitação no mercado, bem como, o maior adversário, qual ocasiona a rejeição do público.

Até o início da década de 70 as fábricas de violões brasileiras mantinham um certo padrão de qualidade. Utilizava-se madeiras nobres e maciças em seus instrumentos, garantindo uma excelente qualidade sonora, mesmo pecando em acabamento e, às vezes, não tendo braços anatomicamente apropriados.

Ocorre, porém, que aos poucos a matéria prima foi ficando escassa, por conta do uso de madeiras de árvores em extinção, como o jacarandá e, assim, os instrumentos de madeira laminadas foram tomando o mercado. 

Aos poucos a qualidade sonora foi se perdendo e a produção de instrumentos descartáveis de baixíssima qualidade passou a tomar o mercado nacional, momento onde as fábricas brasileiras foram se perdendo, produzindo instrumentos que não afinavam bem e feitos sem parâmetros mínimos de qualidade sonora e estética passaram a ser a tônica das fábricas nacionais. 


Concomitantemente a isso, os instrumentos importados passaram a chegar ao Brasil, muitos deles já eletrificados, com um padrão de qualidade e acabamento infinitamente superior aos instrumentos fabricados no Brasil, fato que abalou o mercado nacional.

Inicialmente, foram os violões elétricos Ovation que caíram no gosto dos artistas brasileiros entre as década de 70/80. Porém, a caixa acústica de fibra arredondada, além de oferecer uma sonoridade muito peculiar, não era muito anatômico para valorizar a tocabilidade. 

Violão Ovation
Gibson - Chet Atckins

Foi na década de 80 que o mercado brasileiro passou a conhecer o melhor violão elétrico fabricado no mundo até aquela época. Trata-se do maciço Chet Atckins, da Gibson, instrumento que seduziu e conquistou todos os artistas do primeiro escalão da música popular brasileira, sendo usado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, João Bosco, Geraldo Azevedo, Fagner e tantos outros músicos pelo país à fora. 

O violão Chet Atckins, da Gibson tomou o mercado profissional, pois além da precisão na sua afinação, o circuito elétrico de altíssima qualidade capta cada corda individualmente, permitindo ao violão produzir uma sonoridade fantástica. Ademais, por ser todo maciço, sua eletrificação não permitia microfonia, nem qualquer falha de ressonância ou na frequência sonora.


Folk - Gibson
Ocorre, porém, que este violão, além de muito caro, por ter o corpo todo maciço, terminava sendo um instrumento muito pesado, mais pesado do que uma guitarra elétrica, motivo pelo qual foi aos poucos perdendo o mercado nacional.

Com o passar do tempo, marcas como Takamine, Gibson, Fender e Yamaha rapidamente tomaram o mercado com violões de cordas de aço, no modelo Folk, em versões acústicas e elétricas, oferecendo instrumentos com acabamento e afinação impecável, com uma sonoridade boa.


Takamine E-50 nylon
Vale ressaltar que estas marcas, além dos violões Folk de cordas de aço, também produziam bons instrumentos de corda de nylon. 

No segmento de violões de nylon, porém, a marca que mais se destacou no mercado musical, em face ao parâmetro da qualidade foi a Takamine, que confeccionava em série instrumentos de excelente sonoridade, obtida através da selecionada matéria prima utilizada, oferecendo precisa afinação, além de um excelente acabamento e a melhor captação e circuito elétrico do mercado profissional.


A virada do século trouxe uma nova febre para os violões elétricos que foi o chegada ao mercado dos violões Godin. Estes violões chegaram com um design próprio com uma linha de instrumentos maciços como o Chet Atckins, da Gibson, porém, mais leves e mais baratos, trazendo como novidade o braço mais fino (Slim) mais próximo das guitarras e as captações individualizadas e a placa MIDI com saída de 13 pinos.

Os violões Godin rapidamente caíram no gosto popular dos artistas brasileiros, sendo utilizado por vários artistas renomados. Assim outros modelos foram sendo lançados, de cordas de nylon e aço, inclusive versões semi-acústicos (não totalmente maciço) que conseguiu alcançar uma boa sonoridade, e com o braço na espessura dos violões clássicos, como o modelo Multiac Grand Concert, D-Amb.
Violão Godin - Multiac Grand Concert D-Amb
Ocorre, porém, que a crise na qualidade não ficou só a cargo dos produtos nacionais não. A utilização de matéria prima de qualidade termina por onerar o produto, gerando para as empresas - mesmo internacionais - a necessidade de criar linhas e séries de produtos mais baratos, quais, inevitavelmente, tem um abalo na sua qualidade, de modo que atualmente, a marca, por si só, não significa qualidade.

Neste contexto, além das grandes marcas passarem a confeccionar instrumentos mais populares, a competitividade do mercado internacional permitiu o surgimento de inúmeras marcas que confeccionam instrumentos mais baratos e que passaram a tomar conta do mercado musical amador e profissional.


Estive estes dias numa loja de instrumentos musicais no shopping para comprar um encordoamento para violão e lá chegando, encontrei um amigo que estava testando um violão para seu filho adolescente. Quando ele me viu, pediu minha opinião sobre o instrumento.


Enquanto eu o orientava, chegou perto um representante dos instrumentos Yamaha tentando influenciar na venda, quis me mostrar um dos seus violões. 

O violão era bonito, mas, quando testei... sem som. Caí na besteira de falar que o violão não tinha som e o representante da marca, querendo defender seu produto, trouxe outros instrumentos para que eu olhasse. Pense a surpresa... Pois é... Todos os violões são lindos, bem acabados, mas sem som...

Bem, fui testar eletrificado e aí o mesmo passou a responder. O circuito elétrico é impecável. Apresentou a qualidade sonora que faltava quando tocado acústico. Daí me restou uma constatação: O investimento na tecnologia do circuito elétrico serve para compensar a péssima qualidade do instrumento acústico produzido em série.

O problema é que o preço destes instrumento feitos em série são absurdamente caros e a grande maioria deles não são bons instrumentos. Ah... mas o violão "tal" é de uma super marca... Sim, e daí? Daí vale a constatação de que para instrumentos acústicos, a marca nos engana.

Para saber se o instrumento é bom, além de conhecer das madeiras utilizadas na sua confecção, verificando se são maciças ou não, faz-se necessário tocá-lo, senti-lo e buscar ter parâmetro de comparação sonoro.

Luthier Sérgio Abreu 1987
Não há enganação. A finalidade do instrumento é produzir som. Então, para saber se ele é bom ou ruim, basta comparar a sonoridade e não se iludir com o discurso da marca, ou a beleza do instrumento.

Muitas vezes, violões nacionais antigos, feitos em madeira maciça são infinitamente superiores aos belos instrumentos importados que atualmente encontramos no mercado.

Só para que se tenha ideia, tenho um violão Tranquilo Gianinni da década de 40, que faz um estrago. Isso mesmo, uma sonoridade absurda, com graves e agudos bem definidos e com um médio equilibrado, coisa que muitos violões importados de hoje em dia não os têm.

Sim, mas como é possível, atualmente, adquirir um instrumento de boa qualidade?

Bem, ciente de que a sonoridade do instrumento está condicionada às madeiras utilizadas nele, não adianta adquirir instrumentos laminados, mesmo de marca internacionalmente reconhecida. 


Luthier Edson Valêncio
O primeiro passo é adquirir um instrumento de madeira maciça. Depois, o segredo está em  buscar uma combinação de madeiras apropriadas à expectativa do músico.

Neste contexto, o melhor é buscar um Luthier que possa confeccionar o instrumento certo para a pretensão do músico, onde as madeiras, as dimensões e a estrutura sejam feita de acordo com os anseios do músico.

Vale sinalizar que o Brasil é um pais super rico em luthiers, tendo alguns famosos e outros não muito conhecidos, mas tão bons quanto os famosos, com preços bons que podem até concorrer com o preço dos instrumentos feito em série, mas com uma qualidade infinitamente superior.

Bem, pretendo, doravante, escrever esta coluna VIOLÃO AMIGO, onde poderemos tecer reflexões sobre instrumentos da nossa coleção pessoal, ou instrumentos que testamos ou já utilizamos, procurando sempre manter o compromisso com a nossa impressão pessoal, desatrelado de apelos comerciais e dos discursos lendários que não atestam a realidade.

Assim, não temos compromisso com marcas famosas ou com luthiers tido como lendas. Nosso compromisso é com a nossa real impressão, adotando parâmetros de comparações objetivos, vinculados ao som e à qualidade.


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¹ Clever Jatobá foi músico e cantor profissional, violonista formado em Música pela Universidade Católica do Salvador (UCSal), proprietário de uma infinita e diversificada coleção de CDS, de LPs, K7, DVDs, além de colecionador de instrumentos musicais e estudioso da arte da luteria de violões.


Verão de 2016.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

FELIZ 2016

Olá Amigos,
 
Com a chegada de 2016, renovamos as forças, revigoramos as baterias e decidimos reativar o BLOG GOSTO MUSICAL, onde voltaremos a fazer nossas reflexões musicais sobre discos, artistas, canções, CDs Antológicos e até sobre instrumentos musicais, ou assuntos afins à seara musical.
 
Claro que, ao bem da verdade, não temos compromisso com a música de massa que toca na mídia, ou com artistas que estejam na crista da moda. Não. Nosso compromisso é com o "gosto musical", ímpar e eclético, que valorize o talento genuíno, a qualidade da obra musical, sem se preocupar com o que a mídia impõe. Esta é a nossa proposta.
 
 
Desejamos a todos, um FELIZ 2016 e que estamos juntos de volta ao GOSTO MUSICAL.
 
Um abraço,
 
Clever Jatobá
e Equipe Gosto Musical.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Minha referência Musical: MEU PAI




Hoje decidi falar sobre o maior cantador com quem tive o privilégio de, no cotidiano, conviver intimamente: MEU PAI.

De batismo, Cleóbulo de Oliveira Miranda. Pelos Amigos, Kekeu, Cleobinho das Baratas, Migué, mas nos últimos dez anos ele mesmo se intitulava de “Cleobito Del Coyote[1]”.

Falar de meu Pai não é uma tarefa das mais fáceis. Não apenas pela amplitude da sua importância em minha vida, como pela extensa referência pessoal que tenho dele. Um homem de bem, digno, decente, alguém que soube viver, desfrutando da vida em tudo que ela pode oferecer.

Como PAI foi um exemplo vivo do que estas três letrinhas pode significar. Sua importância na minha vida é tão grande, que não caberia em pequenas e maus traçadas linhas tentar descrever, pois a utilização de todas as palavras do dicionário não seriam suficientes para descrever a nossa complexa relação de Pai e Filho, ou o AMOR que sentíamos (e, tenho certeza, que sentimos hoje e sentiremos para sempre, onde quer que estejamos) um pelo outro. Posso dizer que Ele é minha referência...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

DVD Auto da Catingueira - ELOMAR


Por Clever Jatobá

Acabo de assistir a um dos maiores espetáculos que meus olhos e ouvidos já tiveram o privilégio de apreciar. Trata-se do DVD do espetáculo do AUTO DA CATINGUEIRA. Uma Ópera mais do que brasileira, genuinamente nordestina, nascida na caatinga baiana, que integra a obra musical de um dos ícones da erudição da caatinga nordestina, o Cantador ELOMAR FIGUEIRA DE MELO 

Sei que muitos de nós, brasileiros, não temos o hábito de ouvir Ópera e, portanto, quando convidados a apreciá-la, normalmente nos esquivamos, por achar que seria alguma coisa chata que nos entediaria (sic). Enxergo esta rejeição como algo natural. Não por fazer sentido, mas, sim, por conta de compreender que tudo que não conhecemos, nos pode ser atrativo, ou pode nos impor uma natural rejeição fundada no desconhecimento, ou seja, na nossa ignorância.

Isso mesmo, falo “ignorância” no sentido próprio da palavra, qual nos direciona ao fato de desconhecermos algo, ou seja, ignorarmos a sua existência. Pois é, o desconhecido às vezes nos assusta e, por via de consequência, nos distancia da liberdade de conhecer algo novo por conta do preconceito, ou comodidade que a ignorância nos concebe.

Ópera, em italiano, significa trabalho, em latim, é o plural de "opus", que, por sua vez, significa uma obra. No contexto da música erudita, a ópera, mais que um gênero musical, é um gênero artístico teatral que nos apresenta um drama encenado e acompanhado pela música. Em outras palavras, é um espetáculo que congrega a representação teatral à música instrumental.

sábado, 3 de agosto de 2013

A irreverência de Genival Lacerda

Por: Clever Jatobá¹

Hoje, enquanto eu arrumava meus discos, achei um LP de um dos maiores ícones da música nordestina de todos os tempos. Desta vez não estou falando de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro ou do Dominguinhos, estou falando do GENIVAL LACERDA.

O Genival Lacerda é um dos maiores ícones da verdadeira música popular nordestina.

Um dos artistas mais carismáticos de todos os tempos, que com as suas roupas espalhafatosas, sua chinela de couro e o seu chapeuzinho conseguia embalar a todos no ritmo irreverente do seu forró com o sacolejo da sua barriga avantajada que, com motes do estilo “Mate o Véio”, conseguia alegrar as festas juninas do nosso povão.

Nos meus tempos de criança, lembro claramente que quando ia se aproximando os festejos juninos era a hora de sentarmos diante do rádio para aguardarmos as músicas novas de ícones como Genival Lacerda, Clemilda, Zé Duarte e Sandro Becker. Bem, em seguida íamos ansiosos ao antigo supermercado “Paes Mendonça” para comprar o LP destes artistas.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Morre Dominguinhos


O Silêncio da Sanfona
 
Por: Clever Jatobá.
 
Hoje, dia 23/07/2013 a Música Popular Brasileira está de LUTO...
 
A zabumba silencia, o triangulo emudece, pois calou-se hoje a Sanfona de Dominguinhos.
 
Após 6 anos de longa batalha contra o câncer de pulmão, Dominguinhos foi internado em estado grave com pneumonia e arritmia cardíaca, em 17 de Dezembro de 2012 no Hospital Santa Joana no Recife, Capital Pernambucana,  sendo transferido em 13 de Janeiro de 2013 para o Hospital Sírio-Libanêz, em São Paulo, onde lutou nestes seis meses para se recuperar.
 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Geraldo Azevedo: Sem mídia e sem medo

Para o meu gosto musical, um dos maiores artistas nordestinos de todos os tempos é o Geraldo Azevedo.
 
Show no Teatro Sesc Casa do Comércio em Salvador (12.06.2013)
 
Além de um grande compositor, Geraldo Azevedo é um excelente violonista (talvez um dos melhores da MPB) e dono de uma voz melódica e macia, com um sotaque nordestino que é a referência principal do seu trabalho.
 
Entre seus atributos pessoais, não se pode esquecer de exaltar talvez o maior dos seus méritos, qual seja o talento pessoal para conduzir seus shows. Isso mesmo, o Geraldo Azevedo tem um ímpar talento para a realização de seus shows.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Pré Produção do CD Clever Jatobá - Cantoria Nordestina

CANTORIA NORDESTINA
Por: Clever Jatobá
 
Depois de me dedicar por longos 10 anos à música, decidi abrir mão da carreira e mergulhar na Advocacia, uma outra profissão fascinante... Talvez por sentir falta de lidar com o público, decidi lecionar algumas disciplinas no Curso de Direito, trocando os palcos pelo tablado das salas de aula e, assim, terminei abraçando a docência e a carreira acadêmica como uma nova paixão.
 
Apesar da nova opção profissional, não posso negar que a música me corre nas veias e faz pulsar meu coração... Assim, em meio às petições, ao vade-mécum e aos textos jurídicos que hoje em dia escrevo e propago, ainda me sobra tempo para compor algumas canções e renovar as forças nas cordas do meu violão...